"Dica de cinema" - Adão Villaverde
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Filme completo
Se puder, não deixe de assistir o filme argentino "La pregunta de sus ojos" (O segredo dos seus olhos) que conquistou prêmio de melhor concorrente estrangeiro no Oscar 2010.
A direção de Juan José Campanella é genial, especialmente na cena que inicia com uma tomada do alto, de um helicóptero provavelmente, acompanha um jogada de partida de futebol no gramado do estádio do Racing, de Avellaneda, e chega às arquibancadas da torcida de 'La Academia', onde os protagonistas desenvolvem ações igualmente focadas pela câmera ininterrupta. Antológica, a cena é tão bem executada que não se percebem os truques obrigatórios. Ela é antecedida de outra cena inesquecível, chave de todo o enredo, na qual durante encontro em um típico café portenho, sobressai o brilhante coadjuvante, sentenciando que se pode trocar de tudo na vida, de nome, de mulher, de religião e de partido, mas jamais se troca de clube, portanto, não se abandona uma paixão. (Aliás, o Racing saudado como
"La Academia" parece que ao longo de toda sua história só conquistou um único titulo importante. Paixão é paixão!) Além disso, o roteiro de Campanella e Eduardo Sacheri é precioso e narra, com talento e sensibilidade, uma história que não deixa de fixar, como pano de fundo, episódios políticos recentes da ditadura argentina, mas anima questionamentos cerca de uma relação amorosa, resgatada do passado desencontrado de 25 anos atrás. O filme ainda concentra uma expetacular investigação policial. E oferece ótimos diálogos expressando duas clássicas caraterísticas portenhas: a fina ironia e a apologia do lunfardo (gíria). Como comenta Marcelo Coelho (na Ilustrada da Folha de SPaulo, de 25/03/10), não é uma grande obra de arte, mas tem tudo o que se poderia desejar de um bom filme. Na minha
opinião, tratase de um filme completo.
Dep. Est. Adao Villaverde
Se puder, não deixe de assistir o filme argentino "La pregunta de sus ojos" (O segredo dos seus olhos) que conquistou prêmio de melhor concorrente estrangeiro no Oscar 2010.
A direção de Juan José Campanella é genial, especialmente na cena que inicia com uma tomada do alto, de um helicóptero provavelmente, acompanha um jogada de partida de futebol no gramado do estádio do Racing, de Avellaneda, e chega às arquibancadas da torcida de 'La Academia', onde os protagonistas desenvolvem ações igualmente focadas pela câmera ininterrupta. Antológica, a cena é tão bem executada que não se percebem os truques obrigatórios. Ela é antecedida de outra cena inesquecível, chave de todo o enredo, na qual durante encontro em um típico café portenho, sobressai o brilhante coadjuvante, sentenciando que se pode trocar de tudo na vida, de nome, de mulher, de religião e de partido, mas jamais se troca de clube, portanto, não se abandona uma paixão. (Aliás, o Racing saudado como
"La Academia" parece que ao longo de toda sua história só conquistou um único titulo importante. Paixão é paixão!) Além disso, o roteiro de Campanella e Eduardo Sacheri é precioso e narra, com talento e sensibilidade, uma história que não deixa de fixar, como pano de fundo, episódios políticos recentes da ditadura argentina, mas anima questionamentos cerca de uma relação amorosa, resgatada do passado desencontrado de 25 anos atrás. O filme ainda concentra uma expetacular investigação policial. E oferece ótimos diálogos expressando duas clássicas caraterísticas portenhas: a fina ironia e a apologia do lunfardo (gíria). Como comenta Marcelo Coelho (na Ilustrada da Folha de SPaulo, de 25/03/10), não é uma grande obra de arte, mas tem tudo o que se poderia desejar de um bom filme. Na minha
opinião, tratase de um filme completo.
Dep. Est. Adao Villaverde


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