Stela: “leniência para investigar e celeridade, para arquivar”
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
O tom de indignação marcou a manifestação da deputada Stela Farias durante a sessão plenária para a apreciação do parecer da Comissão Especial que trata da denúncia por crime de responsabilidade contra a governadora Yeda Crusius. A parlamentar fez duras críticas ao parecer contrário à admissibilidade do pedido apresentado pela relatora Zilá Breitbach (PSDB).Para Stela, o indiciamento de pessoas absolutamente ligadas ao centro do governo, assim como os fortíssimos indícios de que a governadora não só tinha conhecimento dos esquemas como se utilizava de seu cargo a favor da continuidade destes, sequer foram analisados pela relatora.
“A base do governo, ao atribuir todos os fatos e informações levantadas a uma ‘conspiração’ contra o Piratini, preferiu não ver a conspiração, que de fato havia. Um grande esquema de conspiração e chantagem, que esteve dentro de seu próprio governo” cobrou a deputada.
Stela citou a reportagem da Revista IstoÉ, intitulada “O arrecadador de Yeda”, sobre o envolvimento do deputado federal, José Otávio Germano, do PP, na fraude do Detran e aos acordos feitos com a governadora para manter o esquema de desvio de recursos públicos. A parlamentar, que preside a CPI da Corrupção, lembrou que, na mesma semana, os deputados da base governista rejeitaram o requerimento para convidar Germano a comparecer a Comissão.
“Essa é a resposta que damos ao Brasil! Funciona com o binômio que tem caracterizado as ações da base governista, aqui na Assembleia: leniência para investigar e celeridade, para arquivar” afirmou.
Stela ironizou as alegações de "conspiração" da base governista e lembrou de referidos chantagistas da governadora, Lair Ferst, arrecadador de campanha; Flavio Vaz Netto, que ameaçou entregar todos na CPI do Detran; Chico Fraga, personagem do submundo da política e operador dos esquemas descobertos pela Polícia Federal, assim como Antônio Dorneu Maciel e Delson Martini.“Uma rede de conspiração. Um conluio de chantagistas. Aliás, eu chego a pensar que, afastando a governadora, lhe faríamos um favor: afastando-a do poder, a livramos da chantagem”, afirmou.
A parlamentar finalizou seu discurso lembrando que o processo de investigação sobre a compra da casa da governadora tem segmento na Procuradoria-geral da República e agrega ao já nebuloso caso o fato da mesma ter sido montada com itens pagos com dinheiro público.
“Mas nada disso foi visto no relatório final da Comissão de Impeachment. Não se viu o indiciamento de pessoas, absolutamente ligadas ao centro do governo. Não se viu os fortíssimos indícios de que a governadora não apenas tinha conhecimento dos esquemas, mas operava com o poder de governo a favor da continuidade deles. Não se viu as chantagens à governadora. Nada disso foi visto. Nada disso foi relatado. Nada foi considerado. A não ser a pressa em arquivar. Este relatório não representa a realidade. Não poderia receber a aprovação deste Parlamento. E se não por nós, na tarde de hoje, ele será desmentido pela história, porque alguns não deram consenso” finalizou.
Por Adriano Marcello.


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