Arquivamento do processo mancha a história do Parlamento, diz Villaverde
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
"Quando se supervaloriza condutas inaceitáveis de indivíduos frente a instituições mancha-se e fragiliza-se a história da instituição", ponderou o deputado Adão Villaverde (PT), lembrando que o Parlamento e o Estado são instituições permanentes e os governos são entidades transitórias. O parlamentar foi um dos deputados do PT que se manifestou na sessão histórica do Parlamento gaúcho encarregada de analisar a admissibilidade do pedido de impeachment da governadora do Estado, na tarde desta terça-feira (20). Para Villaverde, além do mérito do pedido do presidente da Assembleia, Ivar Pavan, para que o processo de impedimento fosse aceito, estava em jogo, na sessão de votação, a honra da Casa Legislativa gaúcha que sempre foi considerada, entre os Parlamentos brasileiros, uma das que melhor encarna as tradições políticas da postura democrática e conquista respeito pela atuação institucional ilibada e pela atividade parlamentar séria e responsável. Conforme o deputado, a Assembleia gaúcha representa parâmetro de postura ética que é seu importante legado histórico, "maior do que qualquer desvio de conduta de um ou outro agente público".
Para ele, o Parlamento tem que evitar dois extremos que a sociedade repudia: "de um lado, julgar sem processo condenando sem julgamento, e de outro impedir que se jogue o que é inaceitável para baixo do tapete", disse, destacando que a sociedade deve avaliar, nesta sessão, a conduta e a postura dos deputados que elegeu para representá-la na fiscalização do Executivo, na defesa do estado democrático de Direito e na preservação do patrimônio público.
"O Legislativo nunca fez e não deve denunciar ninguém sem provas, mas também não pode deixar de investigar as acusações que são de grande dimensão financeira e inaceitáveis do ponto de vista da gestão pública", disse ele, salientando que o relatório da deputada tucana Zila Breitbach,traduz uma ação de advogada de defesa da governadora, e não de relatora do pedido do impeachment.
"Fora a intolerância e a corrupção!", disse Villaverde ao encerrar, diante da algaravia da claque tucana nas galerias.
Por André Pereira.


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