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Conversas interceptadas mostram que Yeda tinha poder de decisão no esquema do Detran

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Deputados da oposição que integram a comissão especial para analisar a admissibilidade do pedido de impeachment da governadora, apresentaram, nesta terça-feira (6) à noite, um conjunto de áudios em que diversos interlocutores mencionam Yeda Crusius como a pessoa que tinha a palavra final sobre as questões relativas ao esquema montado para desviar recursos do Detran. Ao todo, foram apresentados doze telefonemas trocados por integrantes do governo e da base aliada entre 28 de agosto de 2007 e 30 de outubro de 2007.

O objetivo, segundo o deputado Ronaldo Zülke (PT), é contestar a tese da relatora da comissão especial, Zilá Breitenbach (PSDB), que sugeriu o arquivamento do processo de impeachment alegando falta de provas. “O conjunto de áudios mostra, claramente, que o esquema montado no Detran não era desconhecido pela governadora. Pelo contrário, os interlocutores recorriam a ela para promover ajustes e buscar soluções. Portanto, o parecer da relatora não tem a menor consistência e distorce a posição do Ministério Público Federal e da Justiça”, assinalou o parlamentar.

Nos áudios exibidos pela oposição, a governadora é citada como “aquela senhora”, “ela” e “gov”. As conversas mencionam o poder de decisão de Yeda e tratam do agendamento de uma reunião com a governadora, como o diálogo travado entre o deputado federal José Otávio Germano (PP) e o ex-diretor da CEEE Antônio Dorneu Maciel.

Foi apresentado um áudio inédito de um diálogo entre Maciel e o ex-secretário Geral de Governo Delson Martini. Eles tratavam da realização da reunião da governadora com José Otávio Germano. Segundo Dorneu, a reunião era da “maior importância” e o deputado federal iria “jogar aberto com ela”.
Mais adiante o ex-diretor da CEEE recomendou: “e é preciso que ela jogue aberto com ele também, pra nós poder (indecifrável) três quatro pontos aí que estão pouco duros... é importante viu nós vamos ter que construir uma solução aí”.


Amigas íntimas

Segundo Zülke, o relatório apresentado por Zilá é um “documento elaborado por uma amiga íntima dirigido para outra amiga íntima”. Ele revelou que somente três das 12 páginas do parecer da relatora analisam documentos da ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal contra a governadora. "A relatora ignora que a juíza Simone Barbisan Fortes acolheu a ação dos procuradores e que, portanto, Yeda Crusius é ré. A única posição da Justiça citada pela deputada Zilá diz respeito a uma decisão liminar sobre o não bloqueio dos bens da governadora, o que não significa que ela seja inocente", observou o parlamentar.

Nesta quarta-feira (7) ao meio-dia, o grupo voltará a se reunir para analisar documentos sob sigilo. "Se observarmos vínculo entre este material que está sob sigilo e os áudios que escutamos hoje, vamos sustentar, em relatório paralelo, que o parecer da deputada Zilá não está respaldado em fatos, mas na amizade e na ligação partidária com a governadora", adiantou Zülke.

Participaram da reunião os deputados Adão Villaverde, Raul Pont, Marisa Formolo, Daniel Bordignon e Elvino Bohn Gass (PT); Raul Carrion (PcdoB); Miki Breier (PSB); Gilmar Sossella e Paulo Azeredo (PDT).

* Ouça o áudio inédito no blog ZeroCorrupção

Por Olga Arnt.

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