Entrevista: Tarso fala sobe desenvolvimento, programa de governo e prioridades
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Questões de programa de Governo, como a relação com os servidores e o peso a ser dado para a Educação, até temas à primeira vista “polêmicos”, como o caso Cesare Batistti, são abordados nesta entrevista que Tarso Genro concedeu ao jornalista gaúcho Alexandre Cruz, hoje radicado na Espanha. O material foi publicado no blog alesoarescruz.blogspot.com na sexta-feira, 16 de julho de 2010, e reproduzido pelo tarso13. Confira:“Eu só agi de acordo com os tratados internacionais sobre refugiados e direitos humanos”
Enérgico, seguro, com grande capacidade de análise, Tarso Genro, candidato a governador do Estado, deseja que Rio Grande do Sul recupere o protagonismo nacional nos grandes temas nacionais. Tarso foi prefeito de Porto Alegre duas vezes e no governo Lula da Silva (um dos homens mais influentes e fortes de Lula), foi ministro de Relações Institucionais, da Educação e da Justiça, pasta que ocupou até 10 de fevereiro de 2010. Na entrevista, confirma sua segurança de si mesmo e sabe as soluções para os problemas do Rio Grande do Sul. Tarso Fernando Herz Genro é o meu entrevistado no Blog Alex Cruz. Boa leitura!!!
P – Recente pesquisa eleitoral aponta a sua liderança para o governo do Estado com 39% para Tarso Genro, Fogaça 29% e Yeda Crusius com 15%. Uma boa notícia para campanha e tem uma boa margem de crescimento até outubro. Como avalia esta pesquisa eleitoral?
R – Por onde a gente anda observamos que a nossa candidatura tem sido bem recebida. Isso parece que está se refletindo nas pesquisas. Porém, estes levantamentos são retratos de momento e a campanha ainda está começando. Vamos continuar trabalhando para que os gaúchos se convençam de que estamos apresentando a melhor proposta.
P – Rio Grande do Sul cobra a retomada do protagonismo nacional, mas para isto há que realizar os deveres de casa, pois se entende que estão esgotadas o atual modelo econômico gaúcho. O senhor crê uma necessidade de um câmbio de modelo produtivo?
R – É necessário que o Rio Grande do Sul passe a volorizar a sua base produtiva já instalada. As desonerações e incentivos fiscais têm que priorizar as empresas que queiram crescer e investir em tecnologia e sustentabilidade. É claro que não seremos contrários a chegada de empreendimentos de fora do Estado, mas queremos que as empresas se instalem e permaneçam em solo gaúcho, utilizando nossa mão-de-obra e proporcionando o crescimento econômico e a distribuição de renda. Fazendo isso, podemos apresentar nossos projetos e reinvindicações junto ao governo federal. O que faremos! O Rio Grande do Sul precisa recuperar o seu protagonismo nas questões nacionais. Vamos ficar de frente para o Brasil.
P – Uma boa educação coloca as pessoas em uma via de aprendizagem ao largo da vida, enquanto o fracasso escolar inicial favorece a polarização social. O Estado tem sofrido ao longo do processo greves, professores mal remunerados e desmotivados nas escolas públicas. Urge um pacto educativo para melhorar a educação?
R – O que precisa é de ação. O Estado precisa parar de fechar escolas e desvalorizar o professor. Nós iremos abrir escolas e valorizar os educadores. Fiz isso quando era ministro da Educação do presidente Lula. Além disso, entre os professores e o governador não estará a Brigada Militar para reprimir. Iremos recuperar o diálogo e instituir uma Comissão Permanente de Negociação entre governo e servidores públicos, movimentos sindicais e associativos do funcionalismo, para tratar de temas vinculados a carreiras, salários, melhoria de condições de trabalho, direitos e metas. Estará vinculada diretamente ao gabinete do governador e ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que iremos criar aqui no Estado. Será um espaço de entendimento, negociação e formulação de propostas. Somos conscientes de que a modernização da gestão pública e do Estado passa pela valorização dos servidores, salários e condições de trabalho, mas também pela busca da eficiência do serviço prestado à população.
P – Uma das grandes preocupaçoes é a ciência e o conhecimento. Estas duas palavras têm sido o motor histórico do progresso humano. O conhecimento gerado de baixo para cima que parte da curiosidade do científico apoiado pela sociedade é uma peça indispensável para o progresso de todos. Crêe que o atual governo do Estado tem incentivado e estimulado a investigação, o conhecimento para seguir avançando para termos um Estado mais competitivo?
R – Não. Já o Governo Federal está fazendo isso. O Rio Grande do Sul ficou estagnado nos últimos anos, perdendo tempo com brigas internas. É fundamental que a gente qualifique nossas instituições e fomente este tipo de experiência. Se algum estabelecimento privado apresentar projeto nesse sentido, também poderá receber incentivos.
P – Tarso, creio que será tema de campanha, portanto, entrarei nesta área para elucidarmos, pois até agora que existiu foram notícias de um enfoque negativo que provoca distorcões. Membro do grupo Proletário Armati per el Comunismo, Cesare Batistti é um tema que provoca muita controvérsia seja com o governo italiano (apenas para contextualizar ao leitor, a Itália fez várias tentativas na época que Battisti estava na França e acabou sendo frustrada a extradição pelo governo francês), seja com alguns setores da sociedade brasileira. Inclusive, há versões e uma delas me parece inverossímil como a primeira dama francesa, Carla Bruni, realizou um pedido para evitar a extradição. Até alguns setores do governo brasileiro ficaram divididos. Podes esclarecer não só os motivos desta polêmica como o argumento que o governo federal defende que não seja extraditado para Itália?
R – Essa é uma questão que foi ideologizada de má fé pela grande mídia. Então é natural que as pessoas fiquem confusas sobre o assunto. Eu só agi de acordo com os tratados internacionais sobre refugiados e direitos humanos. Isso foi escondido pela maioria da mídia. Inclusive as minhas decisões relacionadas ao caso Battisti foram fundamentadas em decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal sobre o mesmo assunto. O STF já não havia permitido a extradição de quatro ex-brigadistas italianos que tinham se refugiado no Brasil. Não foi dado o devido peso, na divulgação do caso Battisti, a estas decisões anteriores do Supremo. Fui criticado como se tivesse tomado uma decisão inédita, e isso constitui uma fraude informativa. Inédita foi, na verdade, a mudança de decisão do Supremo sobre o tema. Mas o STF manteve, afinal, uma posição de princípio, que é remeter ao presidente da República a solução do caso. Seria muito grave se isso mudasse. E isso foi mantido por cinco votos a quatro. Está nas mãos do presidente a decisão do Battisti. E acho que conseguimos sensibilizar uma parte da imprensa, que também divulgou os nossos pontos de vista. Houve inclusive uma coisa inédita: pela primeira vez, quando um ministro da Justiça sai do governo, houve um manifesto de juristas apontando a sua gestão como uma gestão exemplar. O fato nunca tinha ocorrido. Então eu me sinto satisfeito em relação a isso.
P – Para finalizar, a social democracia apostou pela reforma frente à revolução e fez porque adquiriu consciência que através da reforma do capitalismo se pode alinhavar os benefícios do mercado com igualdade e progresso social. Senhor que fez parte do governo Lula, uns dos ministros mais influentes do governo, entende que estes oito anos foi uma gestão dentro de uma visão da social-democracia? E o PT hoje é um partido social-democrata?
R – O Governo Lula fugiu dos padrões já definidos. Isso revolucionou a política e até mesmo o PT. Hoje temos um novo modelo de socialismo com democracia que já está servindo de exemplo para outros países.
do Portal Tarso 13.


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