Com apoio de Lula, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, busca popularidade para vencer a eleição
segunda-feira, 14 de junho de 2010
BRASÍLIA - A mulher que será escolhida na convenção do PT deste domingo para tentar ser a substituta do presidente mais popular da História do Brasil é, em certa medida, o oposto de seu padrinho e fiador político. Antes de o operário chegar à Presidência, as trajetórias de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva só coincidiam na luta contra a ditadura - enquanto Dilma defendia a luta armada, Lula brigava por melhores condições de salários para os metalúrgicos, a quem representava. Eleito, Lula afirmou que nunca fora de esquerda. Dilma não fez o mesmo, mas aprendeu a se aliar a outras ideologias.
Na campanha do PT, o clima é de festa com o desempenho da candidata que, até aqui, apesar de alguns tropeços, alcançou bons resultados. A avaliação do núcleo do governo, Lula à frente, é que a vitória chegará, se ninguém errar. Nem Dilma, nem Lula e muitos menos petistas afoitos, de ideias alopradas, como o suposto dossiê contra a filha de José Serra (PSDB).
Esse é o desafio do momento: evitar erros e exposições desnecessárias para não haver queda nas intenções de voto em Dilma, que recuperou sua desvantagem nas pesquisas em relação a Serra e aparece empatada com o tucano nos últimos levantamentos de Ibope e Datafolha. Depois da superexposição de hoje, a petista passará uma semana na Europa, em encontros com chefes de Estado, evitando, assim, o confronto direto com os adversários no país.
PT aposta as fichas em Lula na TV
Os petistas esfregam as mãos com o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, a partir de agosto, quando Lula aparecerá para pedir votos e dizer que será Dilma quem continuará seu governo. Esse é outro desafio: convencer a maioria do eleitorado que Dilma é Lula. Como Serra ficará com o ônus de dizer que é contra o governo Lula, a aposta do PT é que tudo caminhe para Dilma, aos 62 anos, ser a herdeira do presidente.
Se eleita, um dos desafios de Dilma será mostrar que tem jeito próprio de governar. Terá que aprender a lidar com questões partidárias, como as disputas internas do PT pelos cargos que abriguem suas tendências, e o insaciável apetite do PMDB por postos federais. Apesar de indicar o vice na chapa de Dilma, dificilmente o PMDB aceitará reduzir espaço num eventual governo.
A partir deste domingo, após ser oficializada candidata a presidente numa chapa com o peemedebista paulista Michel Temer, Dilma terá a tarefa de convencer o eleitorado de que ela pode ser a continuação de Lula de saia, mas seguindo seu próprio caminho.
Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947 numa família de classe média mineira. Seu pai, um advogado búlgaro naturalizado brasileiro, foi filiado ao Partido Comunista da Bulgária. Sua mãe era professora em Uberaba quando conheceu Pedro Rousseff. Casados, mudaram-se para Belo Horizonte, e Dilma e seus dois irmãos puderam estudar em colégios tradicionais da cidade - Lula estudou em escolas públicas.
Quando a ditadura chegou, em 1964, Dilma engajou-se em grupos de esquerda que defendiam a luta armada. Na clandestinidade, conheceu Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem viveu por 30 anos e teve uma filha, Paula, que lhe dará o primeiro neto em breve. Dilma e Carlos foram presos e torturados. Ela, por três anos.
Quando deixou a prisão, 10 quilos mais magra, Dilma voltou à universidade. Concluiu Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e passou a trabalhar no serviço público. Ajudou na fundação do PDT de Brizola e tornou-se secretária de Finanças de Porto Alegre e secretária de Energia do governo gaúcho. Rompeu com o PDT em 2000, filiando-se ao PT.
Apesar de ter atuação política destacada desde a juventude, Dilma não se engajou nas questões partidárias do PT nos seus primeiros anos no governo petista. O que fez com que, quando Lula começou a dar sinais de que seria ela a escolhida, alguns petistas torcessem o nariz. Sem alternativas a oferecer, a legenda acabou por concordar. Hoje, na festa de Dilma, os ex-potenciais candidatos à sucessão de Lula - Antonio Palocci e José Dirceu, afastados do governo depois do envolvimento em escândalos - estarão em segundo plano.
Desde que deixou o governo, como pré-candidata, Dilma passou a ser mais ativa nos contatos políticos. Um integrante de sua campanha diz que todas as decisões de alianças passaram por discussões nas quais Dilma estava presente. Seu estilo de discurso, fonte de eterna comparação com Lula, tem mudado. Antes técnico, procura incorporar exemplos populares nas falas, para se mostrar próxima dos eleitores.
Auxiliares de Dilma dizem que o discurso da candidata não é mais motivo de preocupação. Estaria tudo já definido e treinado. De acordo com essa fonte, as declarações dela terão como base suas propostas, o que tornaria as coisas mais fáceis. Ela também tem procurado ser mais concisa nas respostas, embora ainda tenha patinado nessa questão.
As mudanças na candidata incluem a troca de figurino. No início da pré-campanha, Dilma usava blusas mais soltas, trocadas agora por terninhos mais bem cortados. O cabelo ganhou outro penteado. Ela também está mais sorridente. No governo, tinha a fama de tratar os subordinados de forma ríspida.
Quem a conhece de perto, como Erenice Guerra, que a substituiu na Casa Civil, defende a postura rígida da ex-ministra.
- A gente sabe o que esperar da Dilma. Não tem posição dúbia, o que dá segurança ao interlocutor. Trabalha de forma rápida. Às vezes, não gosta que as respostas demorem a chegar. Isso faz com que achem que ela é intolerante. Mas não é - diz Erenice.
Nos próximos meses, ela, que nunca disputou eleição, terá de mostrar sua força para tentar vencer, apostando muito na de Lula.
Do Portal O Globo.
Na campanha do PT, o clima é de festa com o desempenho da candidata que, até aqui, apesar de alguns tropeços, alcançou bons resultados. A avaliação do núcleo do governo, Lula à frente, é que a vitória chegará, se ninguém errar. Nem Dilma, nem Lula e muitos menos petistas afoitos, de ideias alopradas, como o suposto dossiê contra a filha de José Serra (PSDB).
Esse é o desafio do momento: evitar erros e exposições desnecessárias para não haver queda nas intenções de voto em Dilma, que recuperou sua desvantagem nas pesquisas em relação a Serra e aparece empatada com o tucano nos últimos levantamentos de Ibope e Datafolha. Depois da superexposição de hoje, a petista passará uma semana na Europa, em encontros com chefes de Estado, evitando, assim, o confronto direto com os adversários no país.
PT aposta as fichas em Lula na TV
Os petistas esfregam as mãos com o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, a partir de agosto, quando Lula aparecerá para pedir votos e dizer que será Dilma quem continuará seu governo. Esse é outro desafio: convencer a maioria do eleitorado que Dilma é Lula. Como Serra ficará com o ônus de dizer que é contra o governo Lula, a aposta do PT é que tudo caminhe para Dilma, aos 62 anos, ser a herdeira do presidente.
Se eleita, um dos desafios de Dilma será mostrar que tem jeito próprio de governar. Terá que aprender a lidar com questões partidárias, como as disputas internas do PT pelos cargos que abriguem suas tendências, e o insaciável apetite do PMDB por postos federais. Apesar de indicar o vice na chapa de Dilma, dificilmente o PMDB aceitará reduzir espaço num eventual governo.
A partir deste domingo, após ser oficializada candidata a presidente numa chapa com o peemedebista paulista Michel Temer, Dilma terá a tarefa de convencer o eleitorado de que ela pode ser a continuação de Lula de saia, mas seguindo seu próprio caminho.
Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947 numa família de classe média mineira. Seu pai, um advogado búlgaro naturalizado brasileiro, foi filiado ao Partido Comunista da Bulgária. Sua mãe era professora em Uberaba quando conheceu Pedro Rousseff. Casados, mudaram-se para Belo Horizonte, e Dilma e seus dois irmãos puderam estudar em colégios tradicionais da cidade - Lula estudou em escolas públicas.
Quando a ditadura chegou, em 1964, Dilma engajou-se em grupos de esquerda que defendiam a luta armada. Na clandestinidade, conheceu Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem viveu por 30 anos e teve uma filha, Paula, que lhe dará o primeiro neto em breve. Dilma e Carlos foram presos e torturados. Ela, por três anos.
Quando deixou a prisão, 10 quilos mais magra, Dilma voltou à universidade. Concluiu Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e passou a trabalhar no serviço público. Ajudou na fundação do PDT de Brizola e tornou-se secretária de Finanças de Porto Alegre e secretária de Energia do governo gaúcho. Rompeu com o PDT em 2000, filiando-se ao PT.
Apesar de ter atuação política destacada desde a juventude, Dilma não se engajou nas questões partidárias do PT nos seus primeiros anos no governo petista. O que fez com que, quando Lula começou a dar sinais de que seria ela a escolhida, alguns petistas torcessem o nariz. Sem alternativas a oferecer, a legenda acabou por concordar. Hoje, na festa de Dilma, os ex-potenciais candidatos à sucessão de Lula - Antonio Palocci e José Dirceu, afastados do governo depois do envolvimento em escândalos - estarão em segundo plano.
Desde que deixou o governo, como pré-candidata, Dilma passou a ser mais ativa nos contatos políticos. Um integrante de sua campanha diz que todas as decisões de alianças passaram por discussões nas quais Dilma estava presente. Seu estilo de discurso, fonte de eterna comparação com Lula, tem mudado. Antes técnico, procura incorporar exemplos populares nas falas, para se mostrar próxima dos eleitores.
Auxiliares de Dilma dizem que o discurso da candidata não é mais motivo de preocupação. Estaria tudo já definido e treinado. De acordo com essa fonte, as declarações dela terão como base suas propostas, o que tornaria as coisas mais fáceis. Ela também tem procurado ser mais concisa nas respostas, embora ainda tenha patinado nessa questão.
As mudanças na candidata incluem a troca de figurino. No início da pré-campanha, Dilma usava blusas mais soltas, trocadas agora por terninhos mais bem cortados. O cabelo ganhou outro penteado. Ela também está mais sorridente. No governo, tinha a fama de tratar os subordinados de forma ríspida.
Quem a conhece de perto, como Erenice Guerra, que a substituiu na Casa Civil, defende a postura rígida da ex-ministra.
- A gente sabe o que esperar da Dilma. Não tem posição dúbia, o que dá segurança ao interlocutor. Trabalha de forma rápida. Às vezes, não gosta que as respostas demorem a chegar. Isso faz com que achem que ela é intolerante. Mas não é - diz Erenice.
Nos próximos meses, ela, que nunca disputou eleição, terá de mostrar sua força para tentar vencer, apostando muito na de Lula.
Do Portal O Globo.


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