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Áudios revelam acerto para pagar “propina atrasada” para ex-presidente do Detran

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais três áudios, liberados pela Justiça Federal de Santa Maria, foram exibidos hoje (28) pela CPI do Detran. Os telefonemas, grampeados pela Polícia Federal em 2007, foram trocados por integrantes do governo do Estado e por operadores da fraude que desviou mais de R$ 44 milhões do Departamento de Trânsito. Os diálogos tratam do recolhimento e da divisão da propina e do pagamento de “valores atrasados” para o ex-presidente da autarquia Carlos Ubiratan dos Santos, que teria sido excluído do esquema fraudulento.

Numa das conversas, o ex-diretor da CEEE Antônio Dorneu Maciel disse para o ex-presidente do Detran Flavio Vaz Neto que “o 'Carlão' tá vindo aqui em casa pegar os documentos do 'barba vermelha' e aí me perguntou ontem como é que ficou, como é que foi o 'coisaredo' , não, tamo providenciando aí e tal. O “pratrazmente” , entende.” O “barba vermelho” é identificado como Ubiratan dos Santos, que estaria insatisfeito com a exclusão do esquema e cobrando “propina atrasada”.

O outro áudio revela uma conversa em que Ubiratan dos Santos e Lair Ferst combinam uma reunião. Ferst disse que “aquela casa vai cair...olho grande entra cisco”, referindo-se ao esquema fraudulento montado no Detran.

As conversas reforçam, na avaliação da presidenta da comissão de inquérito, Stela Farias (PT), a necessidade de convocar Flavio Vaz Netto e Ubiratan dos Santos. “São depoimentos fundamentais para que possamos concluir as investigações sobre o chamado Detran II, que envolve o contrato mantido pela autarquia com a empresa Atento Service. Depois disso, poderemos partir para a segunda fase da CPI, envolve a Operação Solidária”, apontou.

O terceiro áudio revela outra conversa entre Maciel e Vaz Netto. Os dois acertaram o calendário para o recebimento e divisão da propina oriunda da fraude do Detran. Segundo Maciel, a primeira parcela do dinheiro seria liberado 15 dias depois que o Detran pagasse a Fundae. A segunda parcela sairia 24 dias depois do pagamento.

Segundo o deputado Daniel Bordignon (PT), as interceptações revelam, claramente, “a movimentação em torno da liberação da propina”. “Os fatos são graves e indicam por que a base governista resiste em convocar os dois ex-presidentes da autarquia”, finalizou.

Por Olga Arnt.

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