Viúva de Marcelo Cavalcante conversa com deputados e diz temer pela segurança da sua família
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Em Porto Alegre desde o início da manhã desta quarta-feira, a viúva de Marcelo Cavalcante, Magda Koenigkan, chegou no início da noite na Assembleia Legislativa, onde foi recebida pelos deputados Raul Pont (PT), Paulo Azeredo e Gilmar Sossella (PDT). A empresária estava acompanhada do ex-ouvidor da Segurança Pública Adão Paiani e conversou com os parlamentares sobre a possibilidade de falar em alguma instância do Legislativo, que poderia ser a Comissão de Ética, a Comissão de Serviços Públicos ou a Ouvidoria-geral. Apesar dos argumentos dos deputados sobre a importância dos seus esclarecimentos, Magda não confirmou esta segunda reunião. A empresária, entretanto, manifestou vontade de ter um encontro reservado com a bancada do PSDB. “Gostaria de ter a oportunidade de olhar cada um nos olhos e mostrar que não sou uma inimiga. Sou apenas uma mulher que perdeu o marido e não mereço ser vítima de ataques”, revelou.A conversa deveria ser rápida, mas acabou se estendendo por mais de uma hora. Emocionada, Magda reafirmou que não acredita na hipótese de suicídio do ex-chefe do escritório de representação política do Rio Grande do Sul em Brasília. “Há várias incógnitas na morte de Marcelo e estou empenhada em esclarecer estas dúvidas”, ela admitiu. Entre os fatos que ela considera “estranhos”, está um hematoma no rosto de Marcelo e a inexistência de uma substância química presente no corpo em casos de afogamento. “Os dados não fecham. Não há explicação para o roxo. Meu pai, quando viu, disse ‘bateram no Marcelo’. Vi a fita da única das três câmeras de segurança que estava funcionando no dia e não há nenhum sinal de alguém se atirando da ponte. O domingo estava bonito e o Lago Paranoá lotado, mas ninguém viu nada. É difícil de acreditar na versão suicídio por afogamento”, apontou.
Magda também confirmou que, desde o aparecimento da fita onde Marcelo Cavalcante combinava com Lair Ferst uma agenda da Secretaria da Fazenda – que veio à tona na CPI do Detran – o tucano estava tenso e com medo de ser exonerado, o que acabou acontecendo. Abalado, queria depor na CPI, o que não aconteceu devido ao encerramento da comissão no prazo legal, sem a prorrogação solicitada pela oposição. Depois da morte, ela reuniu farta documentação e entregou ao Ministério Público Federal. Segundo a empresária, os promotores não ficaram surpresos. “Pelo que percebi, o trabalho de investigação está bem adiantado. Não posso dar detalhes para não atrapalhar, mas a história é diferente do que vem sendo contado”, observou.
Magda ainda ressaltou que não entende por que a governo quer impedir a Assembléia de exercer sua função de fiscalização e instalar a CPI. Disse que teme pela sua segurança, pela segurança dos três filhos e que recebeu um recado de Lair Ferst. “Ele mandou eu me cuidar no Rio Grande do Sul, pois aqui, segundo ele, o pessoal é amador. O que mais podem fazer contra mim? Me matar? Matar meus filhos? Estou pressionada emocionalmente e enfrento intimidações e constrangimentos, inclusive de ordem profissional porque tentaram me desconstituir como esposa, mulher e empresária. Mas estou segura que Marcelo falava a verdade”, desabafou.
O deputado Raul Pont ressaltou que compreende a complexidade da situação, mas destacou que a presença de Magda na Assembléia seria da máxima importância. “Há um conjunto de denúncias contra o governo estadual; questões novas e outras que já estavam em pauta no ano passado, durante a CPI do Detran. Marcelo Cavalcante iria depor no Ministério Público Federal e preparou, junto com a esposa, o conteúdo do seu depoimento. Se ela quiser falar, vamos garantir todas as condições para que isto aconteça”, se comprometeu o petista.








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